Num mundo onde só haja espertos, é melhor ser o único
estúpido.
Se todos fossem azuis, o mais interessante seria ter
coloração vermelha ou amarela.
A relatividade só existe porque existe o absoluto e essa é a
maior prova de que tudo é relativo.
Num céu distante, numa galáxia distante, as estrelas tinham
sua própria luz e sabiam que iriam morrer um dia. A morte era o dia mais temido
pelas estrelas, pois significava perder o brilho e deixar de ser vista.
Umas estrelas eram maiores que outras, mas brilhavam menos.
Outras brilhavam mais, porém tinham formas estranhas.
As estrelas não compartilhavam, somente competiam.
Mas, sempre que uma morria, cessava por alguns instantes a
competição, pois todas se lembravam de que, por maiores, mais brilhantes ou
mais perfeitas que fossem, um dia, ficariam sem luz.
Mesmo assim, essa consciência de igualdade logo acabava e
voltavam a competir por melhores posições na galáxia, mais proximidade com
certos planetas, vantagens individuais em relação aos sois.
Até que uma estrelinha pequenininha parou de competir.
Simplesmente passou a assistir aquele espetáculo ridículo e
sofrer e sorrir por causa dele.
Passou a esperar sua luz acabar com paciência, no mesmo
lugar, sem fazer nada, sem mexer com nenhuma outra estrela.
Depois de um tempo, as outras estrelas a deixaram de lado e
ela foi ficando tão isolada, mas tão isolada, que era a que mais se destacava e
a que mais aparecia em toda a galáxia.
Essa é a maior prova de que a competição somente destrói os
competidores e ofusca o brilho de cada um em seu universo.
Rodrigo Lacerda
26/09/2014
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