9 de mai. de 2020

O dízimo do tempo





Há algumas pessoas que possuem muita dificuldade em compreender alguns princípios espirituais.
Dentre eles, talvez o mais difícil seja em relação ao dízimo.
Muito se fala sobre isso e sobre a corrupção, não só fora, mas, principalmente, dentro da igreja.
Há quem procure se justificar dizendo que os líderes gastam inadequadamente, ou apresentam explicações dessa natureza para não entregarem o dízimo.

Trata-se de um preceito bíblico essencial da vida cristã, cuja principal referência, mais citada a respeito, se encontra no livro de Malaquias, no capítulo 3, verso 10 em diante:
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exército (Malaquias 3:10-12).

A reflexão que me deu o Senhor a esse respeito foi muito interessante, pois me levou a enxergar essa passagem no que se refere ao uso e à administração do tempo.

A Palavra de Deus, no texto citado fala trazei TODOS os dízimos.

Nem seria preciso mencionar que se trata de uma quantidade específica e que Deus sempre cuidou muito detalhadamente de tudo que se trata de quantidades.

Um bom exemplo são as instruções dadas a Davi a respeito da construção do templo, assim como da arca, ensinadas a Noé.
Não havia e não há uma maneira humana para se calcular a medida exata para caberem pares de todas as espécies animais dentro de um barco!
É impossível imaginar que todo o esplendor do templo sagrado, construído por Salomão pudesse vir da mente humana, considerando os recursos de que dispunham à época.




Isso, entre outros inúmeros exemplos, mostra o quanto Deus nos vê de uma forma primorosa, o quanto Ele pensa nos mínimos detalhes a nosso respeito e o quanto Ele tenta nos revelar a Sua inteira perfeição.
Deus não erra, não falha, Ele é perfeito, nos pequenos, mínimos detalhes.

O Pai Criador tem na mente a quantidade de grãos de areia que está na Terra. Deus sabe a medida exata de água que enche os mares. Só Ele pode calcular quantos alvéolos serão produzidos dentro de uma laranja ou estabelecer que odor cada flor vai exalar.
A criação divina é uma demonstração da riqueza de detalhes com os quais Deus fez o ser humano.
O próprio corpo humano até hoje não foi desvendado completamente, com todos os avanços da medicina, com toda a inventividade, criatividade e astúcia do homem, não conseguimos desvendar quase nada sobre nosso próprio cérebro.

Não resta dúvida de que Deus se preocupa com, e valoriza, os detalhes.
Nessa linha de raciocínio, o Senhor me conduziu a pensar no cálculo correto para dizimar o tempo que recebemos.
Sim, exatamente!

Dizimar o TEMPO!!!

Os dízimos são para que haja mantimento na casa do tesouro, como diz claramente o texto bíblico citado.
Isso significa que para a manutenção da obra de Deus, para que seja possível a continuidade do serviço, da mordomia divina, é preciso não só dinheiro e bens, mas é preciso que o nosso tempo seja doado.
Por isso que Jesus fala para o rico que é muito difícil para ele entrar no reino dos céus, mesmo ele tendo observado toda a lei e os profetas, em Mateus 19.
Nós fomos levados a acreditar que o dinheiro é o centro de tudo.
As pessoas vivem hoje escravizadas por conta da busca por mais dinheiro, ou por aquilo que o dinheiro lhes proporciona.
A Bíblia mostra com muita clareza que o dinheiro é a coisa menos importante, pois Deus mantém de provisão aqueles o obedecem.
Deus nos ama de forma incondicional e não precisa de nosso dinheiro ou do nosso tempo para absolutamente nada.
Ele é completo em si mesmo!

O princípio do dízimo não é para suprir nenhuma necessidade de Deus, mas nossa!

A casa do tesouro é um lugar físico, para o nosso exercício de fé.
O templo é uma necessidade humana, tanto que Jesus disse pra irmos por todo o mundo (Marcos 16:15).
Quando Davi fala que quer construir o templo (ressalte-se que foi um pedido humano para Deus e não o contrário) Deus primeiro diz que não. 
A fala de Deus para Davi em 1 Crônicas 17 é digna de um estudo à parte.
Que lição extraordinária de Deus para nós!
Agora, por exemplo, em meio à pandemia, causada pelo novo coronavírus, os templos estão servindo apenas para dar despesa.

Deus não está num lugar físico e não precisa disso!

Por isso, a questão do dízimo é tão importante, especialmente no que se refere ao tempo.
Dedicamos tempo a coisas de todas as maneiras, mas não conseguimos parar e devolver para Deus apenas 10% do tempo que Ele nos concede...

Vamos, portanto, aos cálculos que Deus me deu:

Todos nós, enquanto estivermos vivos, teremos dias de 24 horas. Tomando essas 24 horas do dia, que significam 1440 minutos, e tirando 10%, são 144 minutos que precisamos devolver para o senhor todos os dias.
Enquanto eu recebia essa iluminação, a primeira pergunta que me surgiu foi, tudo bem, entrego 144 minutos como dízimo, mas fazendo o quê?
O que seria dizimar o tempo para Deus?
Seria orar, ler a bíblia, ir à igreja, fazer jejum?

Aqui é a parte mais maravilhosa de toda a inspiração e revelação de Deus a esse respeito.
Ler a bíblia é algo que serve para manter a casa do tesouro?
Para que serve exatamente a oração?
Quando falamos que estamos nos dedicando a "fazer a obra do Senhor", o que isso realmente significa?
A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo. (Tiago 1:27)
Fazer a obra de Deus não é ir à igreja, ler a bíblia ou orar. Isso são apenas atividades relacionadas à nossa edificação enquanto seguidores de Cristo.
Jesus, onde passava, era tomado de compaixão (Mt 14:14; Mt 15:32; Mc 1:41) e curava os enfermos, abraçava os pecadores, limpava a humanidade da sua imundice.

Vi uma palavra simplesmente perfeita na qual a preletora ilustrava o Senhor conosco como os pais com a criança quando se suja de fezes ou de comida, anda em tenra idade.
Os pais pegam aquela criança toda suja e fedida e, com amor, paciência, cuidado e carinho, limpam toda a sujeira. 
Uma casa onde tem bebê exala um cheiro suave incomparável, mesmo sendo eles verdadeiros lambuzões que se sujam o tempo todo com vômito, fezes, urina etc.

Deus é do mesmo jeito em relação a nós!
Voltamos à lama e todas as vezes Ele nos limpa, nos perdoa e nos purifica.
O dízimo do tempo, portanto, não está relacionado à sua busca por aperfeiçoamento cristão ou por "produtividade de fé".
Temos a índole de tentar medir a nossa "produtividade" e dizemos com orgulho "li a Bíblia inteira em cem dias", "conheço mais de 300 versículos de cabeça", "passei 3 horas orando de joelhos"...
Deus não mensura nossos resultados espirituais pelos mesmos critérios que medimos.
Jesus explica isso com tanta simplicidade em Mateus 7.
Nosso julgamento a respeito de tudo é muito equivocado em relação à perspectiva de Deus.

Até porque, aprendemos e internalizamos uma das maiores mentiras que o mundo está imerso de que "tempo é dinheiro".
Não!
Tempo é vida!
Tempo é a oportunidade que temos de amar.
Tempo é uma despreocupação da parte de Deus, pois é Eterno.
Tempo é o que temos de mais precioso para adorar e conhecer ao Senhor.
Tempo não é dinheiro.
Tempo é uma dádiva divina para nós, pois resume o que podemos viver e experimentar.
Tempo é a chance que Deus nos dá para aprender sobre Ele.

O nosso tempo disponível é o que Deus nos deu para alcançar a eternidade, ainda em vida, já que ninguém pode determinar o dia da própria morte.

O verdadeiro dízimo do tempo, portanto, é dedicar tempo ao outro, é cuidar do interesse de alguém sem esperar nada em troca, é devolver para Deus apenas uma pequena parcela de tudo o que recebemos. 
Foi isso que Jesus fez e ensinou (Mateus 22:37-39; Marcos 12:29-34).
Esse é o verdadeiro mandamento!

Que o Senhor, através do Seu Santo Espírito nos ensine todos os dias um pouco mais sobre a Sua imensidão.
Que todos os dias consigamos absorver um pouco mais da Sua Santa personalidade e sermos imitadores de Cristo.
Em nome de Jesus. AMÉM!

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